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Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026

Soja entra em 2026 sob pressão global e exige gestão ativa de risco

A orientação é pela adoção de estratégias de hedge flexíveis, escalonadas e disciplinadas, com prioridade para o uso de opções e proteção de margens, em um ambiente de oferta abundante e demanda cautelosa.

O mercado internacional da soja inicia o ciclo de 2026 em um ambiente marcado por excesso de oferta, fragilidade técnica e necessidade de estratégias defensivas por parte dos agentes do setor. Análise divulgada pela TF Agroeconômica aponta um cenário de pressão estrutural sobre os preços, com a volatilidade condicionada principalmente a fatores climáticos e aos movimentos técnicos dos fundos de investimento na Bolsa de Chicago.

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No curto prazo, os sinais seguem negativos. O mercado futuro encerrou 2025 com quatro rodadas consecutivas de baixa, enquanto as exportações norte-americanas ficaram 32% abaixo do volume registrado no ano anterior. Soma-se a isso a desaceleração expressiva das compras chinesas, que reduz o suporte da demanda global. Embora os fundos ainda mantenham posição comprada, o mercado permanece vulnerável a liquidações, reforçando um quadro considerado pesado nos fundamentos e frágil no aspecto técnico.

No balanço global, a China aparece como o principal vetor baixista. A expectativa é de compras limitadas nos Estados Unidos, com clara priorização da soja sul-americana. Nesse contexto, o Brasil surge como o maior peso do mercado em 2026, com produção estimada entre 178 e 180 milhões de toneladas. O clima favorável e a entrada de uma oferta abundante a partir do primeiro trimestre funcionam como um teto natural para os preços internacionais.

A Argentina é apontada como o único fator altista relevante no cenário atual. A produção foi ajustada para 46 milhões de toneladas, com riscos climáticos localizados e maior competitividade no mercado externo. Ainda assim, segundo a consultoria, o país não teria força suficiente para alterar sozinho a tendência global de preços. Já nos Estados Unidos, exportações fracas e a redução do interesse dos fundos continuam pressionando as cotações, com o patamar de US$ 10,57 por bushel sendo considerado um nível técnico decisivo.

Diante desse cenário, a TF Agroeconômica trabalha com três projeções para a soja em Chicago. O cenário base, considerado o mais provável, indica preços entre US$ 10,20 e US$ 10,80 por bushel para março de 2026, com um mercado lateral e pesado. No cenário pessimista, os valores podem recuar para abaixo de US$ 10,00, refletindo o excesso de oferta global. Já o cenário altista dependeria de choques climáticos no Cone Sul, com altas limitadas pela robusta produção brasileira.

A recomendação central da consultoria é clara: 2026 será um mercado de defesa, não de ataque. A orientação é pela adoção de estratégias de hedge flexíveis, escalonadas e disciplinadas, com prioridade para o uso de opções e proteção de margens, em um ambiente de oferta abundante e demanda cautelosa.

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