Brasil | Paraná
Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026
Seguir o rio, jejum e localização temporal pelo som dos grilos: veja estratégias de sobrevivência de jovem que se perdeu no Pico Paraná
Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, pediu ajuda em uma fazenda, cinco dias após desaparecer. Segundo bombeiro que participou das buscas, ele andou por cerca de 20 quilômetros até chegar ao local.
Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, seguiu uma série de estratégias durante os cinco dias em que esteve perdido no meio da mata do Pico Paraná – ponto mais alto do Sul do Brasil e que registra um histórico de desaparecimentos e resgates.
Clique aqui para participar do nosso grupo de WhatsApp
Uma das ações realizadas por ele foi seguir o curso do rio. Disse também que a última refeição foi uma ameixa que tinha na bolsa e um pedaço de panetone. Depois, relatou que não se alimentou mais, nem com alimentos que encontrava no meio da mata, porque não quis correr o risco de consumir algo venenoso.
"Me escorei em meio de mato para poder passar pelo penhasco. Tinha uma cachoeira de mais de 30 metros e não tinha mais como voltar para trás [...] Eu pensei na minha família e pulei [...] Quando eu ouvia os grilos fazendo barulho, eu percebia que estava ficando de noite e procurava um lugar pra descansar. Eu subia nas pedras mais altas para poder ver o caminho", relembrou
Roberto contou também que enchia a garrafa com água da cachoeira e outros meios.
"A garrafa de água eu colocava próximo às pedras, onde batia a água da cachoeira, e meio que a pedra filtrava ela. Eu bebia de pouquinho em pouquinho, porque eu não sabia o que pode ter na água", disse.
Roberto também falou que ouviu um helicóptero procurando por ele, gritou, mas não foi ouvido.
O jovem desapareceu no dia 1º de janeiro, quando descia a trilha que leva até o Pico Paraná – ponto mais alto do Sul do Brasil. Segundo um bombeiro que trabalhou no resgate, ele andou cerca de 20 quilômetros até chegar a uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, na segunda-feira (5), onde pediu um celular emprestado, ligou para a irmã e comunicou que estava vivo.
Depois, foi levado para o Hospital Municipal de Antonina, onde fez exames médicos e passou por procedimentos para reidratação. Ele recebeu alta hospitalar na tarde desta terça-feira (6).
Relembre o caso
A trilha
Roberto iniciou a trilha do Pico Paraná no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga, com o intuito de ver o primeiro nascer do sol de 2026 no ponto mais alto do estado.
Após subirem o Pico Paraná, descansarem e encontrarem outros dois grupos no cume, Roberto e a amiga iniciaram a descida com um dos grupos por volta das 6h30.
Com 1.877 metros de altitude, o Pico Paraná fica a cerca de 90 km de Curitiba e o nível de dificuldade da subida é considerado difícil e, ao todo, a trilha dura em torno de 13 horas.
Desaparecimento
Em um ponto anterior ao acampamento, Roberto se separou do grupo. Segundo relatos, ele também havia se sentido mal anteriormente. Momentos depois, segundo os bombeiros, o segundo grupo iniciou a descida, passou pelo ponto onde a vítima tinha ficado, mas não encontrou com ele.
O analista jurídico Fabio Sieg Martins estava em um dos grupos de montanhistas que encontrou Roberto e a amiga na trilha. Ele conta que acionou os bombeiros ao chegar ao acampamento que fica na base do morro e perceber que o rapaz não tinha mais sido visto.
As buscas por Roberto começaram ainda no dia 1º, por volta das 13h45 e envolveram recursos diversos, como drones, rapel, voluntários e câmeras térmicas.
Desde então, procuraram pelo rapaz equipes do GOST, voluntários, uma equipe de montanhistas do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) e corredores de montanha do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM).
No sábado (3), a Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento após a abertura de um Boletim de Ocorrência pela família do rapaz, que mora em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
O delegado Glaison Lima Rodrigues colheu depoimento da jovem que acompanhava Roberto na trilha, além de outros montanhistas que o encontraram no caminho e familiares dele.
Como o jovem foi localizado
Roberto conseguiu se salvar sozinho e pediu ajuda em uma fazenda. Ele andou cerca de 20 quilômetros até encontrar o local e comunicar à família que estava vivo, na manhã de segunda-feira (5), de acordo com o Corpo de Bombeiros.
Em um vídeo divulgado pela família, o jovem contou que estava na fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, na descida do Pico Paraná. No vídeo, ele disse que, apesar de ferimentos leves, estava bem.
G1
Siga nosso Instagram Correio do Cerrado







