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Quarta-feira, 29 de Abril de 2026

Rússia diz que não exibirá armamentos em desfile anual por segurança

Porta-voz do governo, Dmitry Peskov, mencionou 'campanha terrorista em larga escala' da Ucrânia para justificar ausência de armamentos no evento que acontece na Praça Vermelha

A Rússia realizará uma versão reduzida de seu desfile anual para celebrar a vitória na Segunda Guerra Mundial, sem a tradicional exibição de armamentos, informou o governo russo nesta quarta-feira (29), citando o aumento da ameaça de ataques ucranianos.

O desfile de 9 de maio na Praça Vermelha, em Moscou, é um dos pontos altos do calendário russo, comemorando a vitória sobre a Alemanha nazista em um conflito no qual a União Soviética – da qual a Rússia e a Ucrânia faziam parte – perdeu 27 milhões de pessoas.

Em aniversários recentes, a Rússia tem exibido armamentos, incluindo mísseis balísticos intercontinentais, e o presidente Vladimir Putin tem aproveitado a ocasião para mobilizar a nação em apoio à guerra na Ucrânia, que já dura quatro anos.

Este ano, porém, o Ministério da Defesa afirmou que não haveria exposição de equipamentos militares devido ao que chamou de "situação operacional atual".

Questionado por repórteres sobre a decisão, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse: "O regime de Kiev, que está perdendo terreno no campo de batalha a cada dia, lançou agora uma campanha terrorista em larga escala. E, portanto... todas as medidas estão sendo tomadas para minimizar o perigo."

Com as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos paralisadas, enquanto Washington concentra seus esforços no conflito com o Irã, a Rússia tem reivindicado avanços graduais no campo de batalha nas últimas semanas, enquanto a Ucrânia infligiu danos significativos a portos e refinarias de petróleo russos.

Drones ucranianos atacaram Moscou em intervalos ao longo da guerra, e a Rússia culpou Kiev por uma série de assassinatos e tentativas de assassinato de oficiais militares de alta patente na capital e nos arredores.

A Ucrânia reivindicou a responsabilidade por alguns desses ataques, enquanto negou outros.

Críticos ironizam Kremlin

Peskov observou que o evento deste ano não é um aniversário importante – ao contrário de 2025, quando Putin se juntou a líderes estrangeiros, incluindo os presidentes Xi Jinping, da China, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, para celebrar os 80 anos da derrota dos nazistas.

Mas o anúncio de que o desfile não incluiria armas provocou comentários ácidos de críticos do Kremlin.

"Eles estão com medo de um motim? Ou todo o equipamento queimou na Ucrânia?", publicou Abbas Gallyamov, ex-redator de discursos do Kremlin que agora está na lista de "agentes estrangeiros" da Rússia, nas redes sociais.

Moscou sob pressão

John Foreman, ex-funcionário de defesa britânico em Moscou, afirmou que 11 mil soldados e cerca de 150 veículos militares — incluindo tanques, que estiveram ausentes nos dois anos anteriores — participaram do desfile de 2025.

Ele disse que a decisão de não exibir equipamentos militares desta vez refletia tanto as pressões no campo de batalha sobre o Exército russo quanto o receio de se tornar um alvo atraente para a Ucrânia, dada a crescente eficácia de suas capacidades de ataque de longo alcance.

Um desfile suntuoso também poderia atrair críticas em um momento em que não há fim à vista para a guerra e o Kremlin foi forçado a reconhecer a frustração generalizada da população, particularmente devido à interrupção em larga escala dos serviços de internet, que Putin defendeu sob o pretexto de segurança.

CNN Brasil

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