Brasil | Agro

Sexta-feira, 13 de Março de 2026

Produtores rurais relatam preços abusivos e dificuldade de encontrar diesel em plena colheita no RS e PR

Relatos ocorrem em meio à disparada do preço do petróleo no mercado internacional. Produtores suspeitam de movimento especulativo no mercado.

Produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná relatam dificuldade para comprar diesel para abastecer máquinas agrícolas e denunciam aumentos “abusivos” no preço do combustível em pleno período de colheita de arroz e de soja.

Clique aqui para participar do nosso grupo de WhatsApp

"Até o início da semana passada, ninguém se preocupava com a entrega de diesel. Já nessa semana, eu fui fazer um pedido e fui colocado em uma lista de espera. Estava pagando R$ 5 o litro, e já subiu para R$ 7", conta o produtor de arroz Fernando Rechsteiner, de Pelotas (RS)..

"No Paraná, temos recebido relatos de falta de diesel desde terça. Um produtor de Rio Azul, por exemplo, nos informou que a distribuidora que atende na região não possui o combustível", afirma Luiz Eliezer Ferreira, técnico do departamento econômico do Sistema FAEP.

"Outros relatos semelhantes estão chegando de Faxinal, Guarapuava, Prudentópolis e Irati", acrescenta.

Já em Erechim, norte do RS, cerca de 20% dos produtores enfrentam dificuldades para encontrar óleo diesel, conta o presidente do Sindicato Rural de Erechim, Allan André Tormen. "Todos relatam alta de preço que varia 20% a 55%", acrescenta.

Barril do petróleo a US$ 100

As queixas começaram uma semana depois do início do conflito entre EUA, Israel e Irã, que provocou uma disparada do preço do petróleo no mercado internacional. A Petrobras ainda não reajustou os preços no Brasil, mas o diesel já subiu 7% nos primeiros dias de março.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) diz que não há registro de falta de combustível no país.

No domingo (8), a agência publicou uma nota informando que entrou em contato com os principais fornecedores e que apurou que o RS conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento de diesel.

"As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos à ANP sobre o volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos", disse a agência.

Diante da falta de uma explicação clara para o que está acontecendo, produtores e associações desconfiam de um movimento especulativo e de um possível freio nas importações diante da disparada dos preços.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) não respondeu até a publicação dessa reportagem, mas, em seu site, soltou uma nota conjunta defendendo a importação de biodiesel de até 20% da demanda nacional para frear a escalada de preços. (veja abaixo)

A seguir, entenda o que os produtores têm relatado.

Como é feito o abastecimento no campo

A maioria dos produtores rurais não possui estrutura para armazenar grandes volumes de combustível e, por isso, depende de entregas contínuas de diesel, diz Rechsteiner. Esse abastecimento é feito por empresas conhecidas como Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs).

 

"Elas atuam como revendedoras: compram o combustível das grandes distribuidoras para entregá-lo diretamente nas propriedades rurais", explica o diretor do SindTRR, no RS, Carlos Schneider.

O diesel é essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas e transporte de alimentos.

Ele explica que o que tem acontecido no estado é que as TRRs não estão recebendo combustível das distribuidoras.

"A maioria das TRRs não possui contratos fixos com as grandes distribuidoras. Elas operam como clientes 'spot' (bandeira branca), o que as coloca no final da fila de prioridades das distribuidoras", diz Schneider.

Segundo ele, o recado que as empresas têm recebido das distribuidoras é de que há indisponibilidade do produto para as TRRs.

G1

Correio do Cerrado - Notícias que conectam você ao Nordeste Goiano e Oeste.

Siga nosso Instagram Correio do Cerrado