Brasil | Economia

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026

BC decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, envolvida no caso Master

Presidente do BC, Gabriel Galípolo, informou que já nomeou um liquidante independente para cuidar do procedimento. Fundador da empresa foi alvo de mandados de buscas da PF nesta quarta (14).

O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, com sede em São Paulo (SP).

Clique aqui para participar do nosso grupo de WhatsApp

Com a decisão, todas as operações da gestora foram encerradas de imediato. A medida atinge a instituição, mas não os fundos em si — que permanecem ativos, mas precisarão buscar novas instituições para assumir sua administração.

Segundo a autoridade monetária, a Reag Investimentos descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”.

“Na prática, a autoridade monetária entendeu que a Reag não estava operando de forma adequada e segura, o que levou à decisão de interromper suas atividades para proteger investidores e o funcionamento do sistema financeiro”, diz o BC.

O BC não detalha em nota quais condutas considera irregulares, mas a Reag Investimentos é investigada em duas frentes distintas que agravaram sua situação regulatória.

A empresa é investigada na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. A Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.

A Reag também foi uma das empresas investigadas na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC em oito estados. Nesse caso, a empresa é acusada de gerir fundos de investimentos utilizados pela facção para lavagem de dinheiro.

O que diz o BC

A Reag Investimentos atua como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento, que agora precisarão ser administrados por outras empresas. Além da gestão de fundos, a empresa também atuava na administração de patrimônio de pessoas físicas.

A empresa é controlada pelo Grupo Reag, que também reúne empresas como a Reag Capital Holding e a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CIABRASF), cada uma com operações e naturezas distintas. Essas outras empresas não são afetadas pela liquidação.

Em nota, o BC afirma que “a decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”.

O órgão diz ainda que a instituição se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial e representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

 Na prática, isso significa que eventuais problemas nessas instituições não representam risco relevante para o Sistema Financeiro Nacional. Por isso, elas seguem regras mais simples do que as aplicadas aos grandes bancos.

O segmento reúne instituições financeiras de pequeno porte, com participação reduzida no mercado e baixo impacto sobre a estabilidade do sistema financeiro.

O BC afirmou ainda que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades” e que o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”.

“Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, conclui a nota.

Master é investigado por fraude bilionária

Durante a operação, deflagrada nesta quarta-feira (14), João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag, foi alvo de mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal também levou adiante buscas em endereços ligados ao dono do Master, Daniel Vorcaro, e seus parentes.

O caso do Banco Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional.

Em novembro, o Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial do banco. A liquidação ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões.

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa pode ser a "maior fraude bancária" do país.

Segundo a investigação, a Reag foi parceira do Banco Master na administração de fundos e é suspeita de participação nas fraudes financeiras.

A operação deflagrada ontem resultou na apreensão de carros, relógios de luxo e outros bens de alto valor em endereços ligados a suspeitos de fraudes financeiras no Banco Master.

Por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram autorizados 42 mandados de busca e apreensão, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que, segundo a PF, ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

Durante as diligências, os agentes também encontraram dinheiro em espécie. Até a última atualização, haviam sido apreendidos R$ 97,3 mil em numerário.

As ações ocorreram em São Paulo — inclusive em endereços na Avenida Faria Lima, um dos principais polos financeiros do país — e nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Investigação por elo com PCC

A operação é considerada a maior já realizada no país contra o crime organizado e mirou um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, que teria sonegado mais de R$ 7,6 bilhões em impostos.

Segundo as investigações, o PCC atuava desde a importação irregular de produtos químicos para adulterar combustíveis até a lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento e fintechs.

A Receita Federal identificou ao menos 40 fundos, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, controlados pela facção e usados para ocultar recursos no mercado financeiro, especialmente na região da Avenida Faria Lima.

Na ocasião, as investigações da Polícia Federal apontaram irregularidades em várias etapas de produção e distribuição de combustíveis no país, além de um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro que teria envolvido fintechs, fundos de investimentos e outras empresas do setor financeiro.

Mais de 350 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por crimes como lavagem de dinheiro, fraude fiscal, adulteração de combustíveis e crimes ambientais.

À epoca, a Reag afirmou em nota que colaborou com as autoridades, diz que agiu de forma regular nos fundos em que prestou serviços e negou qualquer envolvimento com atividades criminosas.

Em setembro do ano passado, o fundador João Carlos Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag após a megaoperação contra o PCC.

Na ocasião, a empresa informou que suas acionistas controladoras, Reag Asset Management (gestão de ativos) e Reag Alpha Fundo de Investimento Financeiro em Ações, fecharam acordo para vender sua participação de 87,38% na companhia à Arandu Partners Holding, formada pelos principais executivos da própria Reag.

O valor estimado da transação foi de R$ 100 milhões, com possibilidade de pagamento adicional variável atrelado ao desempenho operacional da empresa nos próximos cinco anos.

G1

Correio do Cerrado - Notícias que conectam você ao Nordeste Goiano e Oeste Baiano.

Siga nosso Instagram Correio do Cerrado