Esporte | Fórmula 1
Terça-feira, 31 de Março de 2026
Chefe de Bearman analisa batida a 262 km/h: "Pequeno erro de avaliação"
Ayao Komatsu isentou segundo piloto envolvido no incidente, Colapinto, de responsabilidade por lance. Acidente alimentou mais críticas ao atual regulamento da F1 2026
Oliver Bearman saiu ileso de uma forte batida no GP do Japão deste domingo: ele colidiu na saída da curva Spoon, no Circuito de Suzuka, quando estava a poucos metros de distância do argentino Franco Colapinto. O incidente a 262 km/h provocou críticas dos pilotos ao novo regulamento da F1; mesmo assim Ayao Komatsu, chefe do inglês na Haas, considerou o ocorrido como um "erro de cálculo".
- Antes da curva 13, Colapinto estava mantendo um ritmo consistente. Não é culpa dele, de forma alguma. É que estamos acelerando mais naquela parte. Então, mesmo em voltas normais, temos uma vantagem de 20 km/h. É por isso que ele quis tentar aquilo. Ele usou o botão de aumento de potência, mas isso fez com que a diferença de velocidade chegasse a 50 km/h. Tenho certeza de que vocês viram na câmera onboard: a velocidade de aproximação era enorme. Ele simplesmente calculou mal - avaliou o gestor.
O acidente foi na volta 21 da corrida, vencida neste domingo por Andrea Kimi Antonelli. Bearman estava em 18º lugar a apenas 0s3 de Colapinto quando, na chegada à curva 13, tentou desviar do argentino. Ele puxou para o canto da pista, pisou na grama; destruiu duas placas de sinalização, atravessou o traçado e e acertou com força a barreira macia do trecho.
O inglês saiu do carro, consciente, com ajuda de fiscais; como apresentou muita dificuldade para caminhar, mancando com incômodo na perna direita, foi levado até o paddock pelo carro médico da F1 e conduzido ao centro médico de Suzuka. Lá, um raio-x e exames constataram apenas uma contusão no joelho direito.
Por causa da alta velocidade, Bearman sofreu uma aceleração 50 vezes maior que a força da gravidade (50G). Ele estava, em média, a 262 km/h, enquanto o piloto da Alpine desacelerou bruscamente em sua frente no trecho.
A diferença de velocidade entre eles, segundo a telemetria registrada em tempo real pela própria F1 e dados posteriores computados, chegou a quase 100 km/h (262 km/h contra 174 km/h).
Pilotos cobram F1 após acidente de Bearman no GP do Japão: "Nós avisamos"
- É uma das coisas que acho que discutimos sobre esse regulamento: a velocidade de aproximação poderia se tornar um problema. É claro que ele está se culpando, dizendo: “Eu deveria ter feito melhor, não há desculpa”. Ficou de lição, tenho certeza de que vamos discutir isso no futuro, pensando em como podemos melhorar. Só estou feliz que ele não tenha sofrido uma lesão grave. Dá para dizer que foi um pequeno erro de cálculo, mas é assustador mesmo, com aquela velocidade; quando olho no GPS, é totalmente compreensível. Foi a decisão correta ter tentado ali, mas é muita coisa, sabe - completou Komatsu.
Como reação ao corrido, Carlos Sainz, Max Verstappen e Lando Norris expuseram suas críticas ao novo regulamento da F1. Isso porque a grande diferença de velocidade entre pilotos próximos num mesmo trecho tem sido um dos efeitos colaterais do novo motor da categoria.
Em 2026, a potência elétrica das unidades aumentou; mas, agora é de responsabilidade dos pilotos recarregar suas baterias utilizando técnicas de direção. É comum que os dispositivos se descarreguem nas saídas das curvas, efeito batizado de "superclipping".
- Esta é apenas a terceira corrida com este regulamento, então é algo que ele (Bearman) nunca experimentou, por isso eu nem chamaria de erro. É apenas algo que acho que devemos estar atentos, talvez ver o que podemos melhorar para mitigar isso, porque poderia ter sido pior, certo? Estou muito feliz que ele não tenha quebrado nada - concluiu o chefe da Haas.
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